Conheça as principais tendências na área de recursos humanos que estão transformando as condições de trabalho 

Novas tecnologias e softwares que automatizam os processos, além das mudanças no panorama cultural e social ocasionadas pela pandemia de COVID-19, tem transformado o trabalho das equipes e profissionais de Recursos Humanos. Cada vez mais o segmento vem deixando de se concentrar apenas em atividades de recrutamento e seleção e em questões burocráticas da vida funcional,  para atuar de modo mais estratégico na gestão das organizações. 

Uma das tendências que mais cresce no século XXI é o foco na felicidade dos colaboradores. Multiplicam-se as empresas que investem no bem-estar da sua equipe, como modo de aumentar a motivação e a satisfação dos profissionais e, consequentemente, potencializar a produtividade de forma natural. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em parceria com a PricewaterhouseCoopers LLP (PwC) – um dos maiores estudos sobre os impactos da promoção de bem-estar no desempenho dos colaboradores em corporações feito em 2019 – comprovou que um trabalhador feliz é 31% mais produtivo, três vezes mais criativo e é capaz de vender 37% mais. 

O mesmo estudo também verificou que o investimento em saúde mental e em flexibilidade provocou relevantes resultados nos negócios, como a intenção dos colaboradores de permanecer na organização e menores índices de burnout. A permanência dos colaboradores nas empresas possui um impacto econômico significativo, já que a rotatividade possui um alto preço para os empregadores: 20% a 33% do salário anual de um trabalhador para substituí-los, de acordo com estimativas. 

Para propiciar o bem-estar dos colaboradores, inúmeras têm sido as estratégias adotadas, cujos resultados podem ser mensurados em softwares específicos que verificam a relação da implementação dessas medidas com a melhora da produtividade. 

Conheça algumas das tendências mais utilizadas pelas empresas atualmente:

Trabalho remoto

Em março de 2022, uma medida provisória regulamentou o trabalho remoto e estabeleceu algumas regras para a atividade. A Legislação Trabalhista carecia de uma revisão, já que após a pandemia o trabalho em modelo home office ou híbrido se tornou uma tendência global cada vez mais adotada pelas corporações no Brasil. Mesmo com o retorno das atividades presenciais, diversas empresas preferiram permanecer com o trabalho remoto devido aos benefícios e aos bons resultados em produtividade. Para o trabalhador, a possibilidade de exercer suas atividades laborais em casa é um imenso ganho na qualidade de vida, pois é  possível dispor de: mais tempo de lazer e descanso ao não precisar se deslocar até a empresa (período que em grandes cidades pode durar horas); mais autonomia, flexibilidade e liberdade no espaço de trabalho; e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. 

Mas, as vantagens não ficam restritas ao trabalhador. As organizações também obtém um notável ganho, afinal o trabalho remoto resulta em: redução de custo com despesas de espaço físico; mais possibilidade de contratações qualificadas e retenção de talentos; equipes motivadas; empregados mais independentes e pró-ativos; melhoria na qualidade dos produtos e serviços; e maior produtividade e lucros nos negócios. 

Gamificação

A utilização de uma metodologia de jogos no universo corporativo, como feedbacks contínuos, dinâmicas de grupo, recompensas, práticas que construam um senso de time, entre outras, colaboram para um maior engajamento da equipe e maior motivação para superar obstáculos e resolver problemas. Além disso, a gameficação melhora o relacionamento entre os colaboradores, estimula o cumprimento das metas e faz com que os funcionários busquem constantemente por melhorias. 

Softwares de integração e automatização dos processos

A integração das diversas áreas de uma empresa é um dos maiores desafios para o segmento de Recursos Humanos. O emprego de softwares é uma medida que torna possível realizar isso de um modo muito mais eficiente. Além dos softwares de integração, outras ferramentas digitais facilitam o dia a dia do setor de RH, ao automatizar algumas tarefas que antes eram realizadas de forma manual. Há também outras plataformas online que possibilitam verificar quais as iniciativas mais eficazes para a produtividade e para o faturamento de um negócio.

Flexibilidade e autonomia

Inúmeras pesquisas demonstram que a flexibilidade de escolher quando e onde trabalhar eleva o desempenho dos colaboradores e amplia a criatividade e o engajamento com o próprio trabalho. A flexibilidade de horários propicia que o trabalhador consiga gerenciar sua energia e seu ritmo possibilitando uma melhor administração do tempo e, dessa forma, gerando melhores resultados. Já, o controle da jornada dos trabalhadores muitas vezes gera sensação de aprisionamento, desgaste e desinteresse. 

A autonomia quando permitida e incentivada nas organizações possibilita que o colaborador se envolva com muito mais compromisso em suas tarefas.  Gera a sensação de valorização e de que o gestor confia nas capacidades do profissional. Por consequência, naturalmente, o colaborador irá responder com interesse, empenho, comprometimento, criatividade e inovação. O oposto da autonomia nas organizações é a microgestão, a qual costuma desestimular e inibir o potencial dos colaboradores. Além disso, é comum que profissionais submetidos a regimes hierárquicos e autoritários acabem por perder o senso de pertencimento à organização e a sentirem-se ameaçados e desvalorizados. 

Humanização e Inclusão

É uma das responsabilidades do setor de RH incentivar políticas de equidade, diversidade e inclusão nas organizações e de evitar que sejam reproduzidas estruturas de desigualdade no ambiente interno da empresa. Há, de modo geral, uma exigência dos consumidores e investidores para que as empresas exerçam um papel ético e sustentável. Além disso,  não há mais espaço de tolerância para a comodidade e para a reprodução e injustiças sociais no ambiente corporativo. Atitudes racistas e qualquer ato de violação de direitos humanos, por exemplo, quando expostos, são condenados pela sociedade e comprometem a existência do negócio. 

Porque humanizar a gestão de pessoas?

Vários estudos expõem resultados que atestam que humanizar a gestão de pessoas pode refletir em sucesso e melhoria no faturamento das empresas. Mas o lucro é apenas um dos motores para a aplicação dessas inovações. Gestores e profissionais de RH experimentam a satisfação de colaborar para a felicidade e para a realização pessoal dos seus colaboradores e, ainda, de exercerem um papel na construção de uma sociedade menos injusta e desigual. 

Por fim, os desafios que o profissional de RH precisa enfrentar se resumem a uma nova cultura organizacional e a uma nova perspectiva em relação à ideia que o ser humano possui sobre o trabalho. As novas tendências mostram que o trabalho não precisa ser sofrido, desgastante e opressivo para que seja eficaz. Pelo contrário, ambientes colaborativos, amigáveis e que permitem a satisfação dos colaboradores contribuem para o sucesso das organizações.